sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dica de Leitura 133 - O Bandido da Chacrete

Julio Laudemir nos apresenta em uma escrita um tanto quanto errática, mas por isso mesmo mais autêntica e algumas vezes mais chocante, a história de um dos fundadores do CV, Paulo César Chaves. Como ele e outros, a partir do contato com presos políticos na Ilha Grande estruturaram o crime organizado brasileiro...e como essa geração de marginais não sobreviveu para ver o sucesso (sucesso?) do monstro que criaram...ou se sobreviveu, está aí com sequelas físicas, familiares e mentais, como o PC. E a propósito, o Chacrete do título é porque ele sim, foi o grande amor de um Chacrete...segura essa Velho Guerreiro.

Dica de Leitura 132 - Diário de um Fescenino

Mais um delicioso Rubem Fonseca...nesse romance, escrito com a linguagem seca e ferina do mundo e do submundo do Rio de Janeiro, ele conta as venturas e desventuras do escritor que só consegue amar duas mulheres - ao mesmo tempo...só que isso pode não ser bem aceito pelas "patroas" e ele pode se dar muito mal com a revolta delas...afinal há coisa pior do que uma mulher que se julga mal amada (talvez haja)?

Dica de Leitura 131 - Minhas histórias dos outros

Nesse livro de memórias, Zuenir Ventura conta histórias vividas na primeira pessoa, que passam pelo terrível período da ditadura até os dias atuais. O último capítulo é espantoso, onde ele narra as terríveis dificuldades nunca antes reveladas que ele enfrentou para criar a testemunha que condenou os assassinos de Chico Mendes. Depoimento polêmico, mas para mim fantástico, do repórter que não quis ser apenas mero espectador. E agiu por um mundo melhor.

Dica de Leitura 130 - A Outra história do Brasil

Escrito por um dos membros do Melhores do Mundo essa história do Brasil é um besteirol puro, avacalha tudo desde o descobrimento, que rende risadas (poucas)...para passar o tempo no aeroporto ou na rodoviária.

Dica de Leitura 129 - Jogo Sujo (O mundo secreto da FIFA: compra de votos e escândalo de ingressos)

Nesse incrível livro Andrew Jennings narra o bastidor das últimas décadas da FIFA. Se por um lado a gestão Havelange - Blatter transformou o futebol no grande negócio, por outro lado a perpetuação do poder e a arrecadação de recursos se deu através de escandalosas compras de votos, instalação de warlords feudais no comando das federações de diferentes países, venda de Copas do Mundo para países com dinheiro ou com votos...um horror. Desanimei muito com o futebol....hoje não iria em uma Copa do Mundo.

Dica de Leitura 128 - Iolanda, a filha do Corsário Negro

Último livro publicado no Brasil com a saga do Corsário Negro e sua família. Após a morte do Corsário na Europa, sua filha retorna ao Caribe para reaver a fortuna do pai. Será ajudada pelos simpáticos e boas praças corsários liderados por Morgan...e terá pela frente o terrível filho bastardo do maior inimigo do seu pai. Para fãs de Emílio Salgari, mais do mesmo.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crônicas de um judoca determinado - 8 - O campeão brasileiro e o rato que ruge

Última crônica de um judoca determinado, escrita pelo meu amigo Emir sobre as peripécias de seu filho Luis Henrique Vilalba nos tatames. Imperdível para quem gosta de ler e de judô!

No dia 19 de julho de 1981, em Brasília, aconteceram os Jogos Estudantis Brasileiros, os JEB’S/81, com o Rio Grande do Sul, pela primeira vez na sua história, tendo um Campeão Brasileiro, em jornada memorável e desempenho irrepreensível do Luís Henrique.
Foram seis lutas, contra Sergipe (Santos, ippon aos 10’), Ceará (Carvalho, ippon aos 60’), Paraíba (Vieira, ippon aos 75’), Rio de Janeiro (Alves, vitória por wazzari e desistência do adversário, tudo em 2 minutos), São Paulo (Parada, vitória por wazzari) e a última Bahia (Coutinho, ippon aos 75’) e, no final daquele 1981, aos 15 anos, a merecida promoção à faixa preta.
A Nilza, sortuda, esteve presente em Brasília e foi testemunha daquele magnífico feito do judoca que continuava fazendo história.
Outro fato interessante e digno de nota aconteceu no torneio nacional “Beneméritos do Judô do Brasil”, em 19 de setembro de 1986 em São Paulo, com o Luís Henrique aos vinte anos e integrando a equipe sênior do Grêmio de Porto Alegre naquele evento.
Como se sabe, no Beneméritos os atletas não competem dentro dos seus pesos, é competição por equipes e peso absoluto. Nessa formatação, é normal a disparidade de pesos, até exagerada, como veremos.
Numa das disputas do Grêmio contra uma equipe paulista, um dos integrantes era campeão brasileiro junior absoluto, um mastodonte de 120 quilos e uma soberba do seu tamanho.
Antes mesmo do início da luta, ainda nas arquibancadas onde as equipes aguardavam a entrada no tatame, o possante energúmeno começou a depreciar o Luís Henrique, então com 65 quilos, que seria o seu adversário, rindo e fazendo troça, alertando a todos de que enfrentaria um rato (“Pessoal, olhem o rato que eu vou pegar!”).
Azar dele mexer com os brios de um judoca raçudo e determinado e, ainda gaúcho, pois acabou vencido por ippon através de um seoi o toshi perfeito! Nesse dia ele conheceu o “rato que ruge”...
Findando esta série de crônicas, este pai orgulhoso quer estender a homenagem ao Junior e ao Márcio, tão bons, leais e determinados quanto o Luís Henrique, não esquecendo da Carmen, que um dia também vestiu um quimono de Judô.
Obrigado, filhos amados, pela enorme alegria que vocês têm proporcionado a mim e sua mãe, em todos os sentidos.